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Maio 13

Foto do escritor: Inaldo Goulart
Inaldo Goulart
6 de abr.
2 min de leitura

Aconteceu há muito tempo, mas vale a pena recordar, porque se trata de um passado sempre presente, cada vez mais atual – principalmente agora que racismo deu para aparecer diariamente em manchete de jornal. Se o leitor ainda não percebeu, eu aviso: estou querendo me referir ao que ao que D. Isabel, filha de Pedro segundo e último, andou fazendo, no dia de hoje, lá por volta do ano da graça de 1888.


É quase um dever do cronista não deixar passar em branco data tão sifnificativa. Mais, até, do que obrigação profissional: é um prazer ou um arrebatamento patriótico – como queiram. Para mim, não faz muita diferença que decidam de uma forma ou de outra, porque o certo é que já elegi D. Isabel meu personagem do dia, e estou decidido a homenagear Sua Alteza Imperial.


Reconheço que a tarefa não é das mais fáceis, e acho que tenho razões de sobre para pensar desse modo. Senão vejamos. Se eu quiser enveredar pelo caminho cômodo dos dados históricos, talvez acabe incorrendo numa série de lugares-comuns, e, com isso, a homenagem pode parecer obra prima de estudante secundário em férias...


Existe, inclusive, o aspecto humano do acontecimento – o lado social – para sermos mais atuais. sim, não há dúvida de que esse ângulo é muito interessante, mas, muito explorado também. Além de tudo, não é assunto que vá cabendo assim em meia dúzia de palavras.


Recorro, consequentemente, ao material disponível aqui, na minha estante de poucos volumes, porém continuo na mesma, isto é, sem descobrir nada de novo ou pitoresco.

O Lello Universal, por exemplo, que se diz enciclopédico, é quase uma surpresa no tópico Isabel – pelo menos para mim. Contei cerca de 35 ditas, sem levar em consideração que “isabel” também foi título de várias ordens e comendas, nas extintas cortes europeias. E assim, fui apresentado a uma verdadeira “inflação” de mulheres ilustres, de todas as latitudes terrestres. Mas, sinceramente falando: nenhuma fez qualquer coisa mais cristã do que a nossa mui querida princesa.


Mesmo com todas as complexidades envolvidas e as graves consequências que ainda persistem, eu pergunto: - é necessário dizer mais?



*Publicado na coluna "Do Cotidiano" de Inaldo Goulart, no Diário da Manhã, em 13 de maio de 1959.

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