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As dores do crescimento

Foto do escritor: Inaldo Goulart
Inaldo Goulart
27 de abr.
2 min de leitura

Atualizado: 28 de abr.

Se editássemos este mensário, número após número, sem fazer constar do mesmo a mais leve referência à difícil conjuntura econômica brasileira, estaríamos pecando por omissão. Uma espécie de bizantinismo, na melhor acepção do termo, seria escolher matéria para as colunas de jornal, não reservando sequer duas delas a uma apreciação sobre os problemas vitais do país. Ainda que a análise fosse superficial, dada nossa condição de leigos em assuntos de economia e finanças, ainda assim – insistimos – nosso trabalho estaria plenamente justificado.


Há quem entenda a precária situação nacional como consequência do que se convencionou chamar “crise de crescimento”. Não discutimos tal ponto de vista, por isso que o “diagnóstico” parece razoável, de certo modo. Apenas acrescentamos que há necessidade de assistir a esse desenvolvimento com terapêutica anti-anêmica, para prevenir um possível e irrecuperável raquitismo, quando a Nação for organismo adulto. Deixa-la entregue à sua própria sorte de “adolescente” em formação é, inclusive, contribuir para o clima de agitações sociais, atualmente vivido em algumas cidades.


Felizmente, os poderes públicos encontram, agora, através de nova política exterior, feita em bases realistas, sem preconceitos ou sentimentalismos inúteis, um dos bons caminhos que conduzirão o Brasil a seu destino de grande potência mundial.


O intercâmbio comercial com as demais nações, por exemplo, que vem sofrendo inúmeras restrições, se reajustado às verdadeiras necessidades brasileiras, reabilitará, definitivamente, o cruzeiro. E sua condição de moeda forte, estável pelo menos, é a maior aspiração do povo brasileiro – convenhamos.



*Publicado no Jornal do Banco do Brasil, em março de 1959.



Contexto:

A "crise do crescimento" no Brasil, na década de 1950, foi um fenômeno complexo, caracterizado por um rápido e desequilibrado desenvolvimento industrial, que gerou sérios gargalos estruturais e inflação, ao final do período. Embora houvesse intensa industrialização e modernização, a dinâmica causou tensões sociais e econômicas que culminaram em desacelaração, no final da década.

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