Rotina
- Inaldo Goulart

- 18 de abr.
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Compareceram, afinal, à presença de um padre. A clássica pergunta foi feita, em nome da Santa Madre Igreja. - "Sim", responderam pela ordem. Marido e mulher, vida nova, esperanças mil, felicidades idem.
Filhos em número de três, até certa época. Dificuldades financeira também; harmonia conjugal, entretanto...
Casamento consolidado.
Ciúmes, depois do décimo quinto ano. Certo?! Não sei... Talvez, eles próprios não saibam. Motivo: informaram-na de que o marido fora visto em lugar suspeito, distribuindo sorrisos & cruzeiros. Nada provado.
Trégua romântica de alguns meses. Mais um filho.
-Ora, meu bem, depois de tanto tempo, coisa nenhuma... Não somos velhos, a hora é esta!
Sorrisos. Mais felicidade.
Outra vez, tristeza: traição desgraçadamente flagrada.
-"Não há solução, ele é incorrigível" - foi o lamento.
Desta feita, não escolheram um padre; perfilaram-se solenes frente a um juiz.
Esperança?
Infelicidade?
Do ponto de vista do magistrado, que não conseguiu salvar a situação, apenas um processo a mais na estatística do cartório. Rotina.

*Publicado na coluna de Inaldo Goulart, no Diário da Manhã, em 1958.
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